quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Lacunas do desenvolvimento motor que podem ser preenchidas


Os movimentos realizados pelo ser humano durante a sua vida determinam suas condições para atuação e interação com o ambiente. Muito é claro vem do seu potencial, mas muito também das experiências e desafios que são colocados e enfrentados pelas pessoas.
Quando não há desafios, a tendência é não desenvolver muitas das potencialidades. Por outro lado quando se propõe e busca a atividade, o desempenho pode e deve ser aprimorado, desde que os desafios sejam colocados de forma progressiva.
Muitas vezes podemos ver as pessoas exagerando e até se machucando, pois não possibilitou e nem permitiu ao organismo se adaptar de forma gradual. Em outras vezes vemos as pessoas pularem etapas importantes, sofrendo mais tarde com a falta de experiências anteriores que fariam toda a diferença. Nesta hora lembro sempre da história da borboleta que ainda lagarta dentro do casulo foi ajudada por uma pessoa a sair antes da hora, não conseguindo posteriormente voar como possibilitava seu potencial.
Alerto também para as pessoas que realizam atividades sem conhecimento ou orientação e até sem curiosidade sobre como funciona o organismo humano. Compreender o funcionamento e as interações que ele realiza para se adaptar as exigências que lhe são colocadas, mostrando-se muito superior a qualquer máquina, pelo seu poder de adaptabilidade e plasticidade, seria de fundamental importância para uma prática consciente e mais efetiva em contraposição a uma prática alienada e cega.
O ser humano, durante o seu desenvolvimento motor passa por processos que o tornam apto a realizar as atividades com maior eficiência e eficácia, aproveitando sua morfologia e obtendo um melhor aproveitamento do seu potencial durante todo o ciclo vital. Para isto, as pessoas e principalmente os profissionais da saúde e mais ainda da atividade física devem orientar e realizar programas que auxiliem nesta busca de condições para uma melhor qualidade de vida.
Desta forma é possível preencher lacunas deixadas nesse processo de desenvolvimento, pois nunca é tarde para obter melhores condições, basta ter disposição e isto não depende da idade, depende de aceitar desafios, respeitando a individualidade, recebendo incentivo, orientação, acompanhamento e apoio.

A construção e a manutenção da autonomia, um desafio


A construção da autonomia deve ser o intuito maior do ser humano. Desde criança ele busca realizar as coisas por si, mesmo que por vezes algumas pessoas tentem ajudá-lo, pensando que estão ajudando. Vivemos é claro a dificuldade em encontrar esta medida, proteção, facilidade ou incentivo, desafio.
O quanto limitamos o potencial ao proteger, facilitar, ou por outro lado acelerar, exigir, pular etapas. Não podemos confundir proteção com querer bem, pois muitas vezes para demonstrar o "querer bem" precisamos ajudar a construir os limites sem fazer por elas, mas orientando e incentivando que façam por si.
Vamos ao simples exemplo de chegar a condição de caminhar. Muitos acham na sua falta de informação que quanto antes andar melhor, mas não sabe o quanto farão falta explorar movimentos básicos, o sustentar a cabeça, rastejar, engatinhar, sustentar o tronco, rolar, enfim, fazer as atividades necessárias que darão condições para realizar atividades futuras, como andar, abaixar, levantar, correr e saltar.
O ser humano deve ter na sua vida desafios, desafios que são necessários para o aprimoramento constante, intelectual, social e físico. Desta forma sua interação neste mundo será cada vez melhor e sempre encontrará a satisfação de conseguir coisas que não conseguia, de modificar desafios. Irá perder é claro, com o tempo muitas das atividades que fazia, mas sempre terá em contrapartida o desafio de manter sua qualidade de vida de acordo com as necessidades que cada período da vida colocar.
Manter a atividade aceitar desafios, superá-los, sem perder a motivação que é  que move o ser humano na conquista de coisas cada vez maiores, diferentes e significativas em qualquer idade. A felicidade de conseguir andar do bebê é a mesma felicidade que deve ter o idoso de ainda conseguir andar com autonomia.